Eu leio e escrevo. Por esta ordem cronológica, acabo por ler mais do que escrevo e deixo o tempo passar.
Mas já passou tempo demais. E o tempo ocioso, conforme passa, menos se oferece a nós e mais valioso se torna. Tornando a nós, numa desajeitada responsabilidade, a necessidade de o tornarmos mais rentável e quem sabe, em clara contradição, menos valioso. É muito satírico pensarmos que trabalhamos para obter tempo menos valioso. No entanto, basta pensar para que objectivo final o fazemos, e o que faremos quando o tivermos, o tempo — e as possibilidades para o ter. Eu enrolo um bom bocado estas as questões pseudofilosóficas, eu sei.
Quem me conhece bem, sabe mais do que bem que eu questiono tudo. E dentro da questão, até questiono o direito de a ter em várias situações especiais. Não me considerando de forma alguma um céptico, até me faz cócegas assumir-me como um curioso.
Nisto, na coisa das questões, parece-me muitas vezes que arrasto uma puberdade intelectual anos a fio. Diversas alturas, sem me consentir a questionar as crenças individuais de outros, autorizo-me a questionar a intolerância de muitos. Unicamente, porque a intolerância castra definitivamente o direito à questão — até de questionar a questão — lavrando a talhe de foice o direito a ser um bocado parvo.
Atenção! Este blergh tendo o direito a ser corrosivo, não lhe confere o direito a ser intolerante — muito menos ofensivo. Eu escrevo parvo, mas sou carinhoso ao fazê-lo.
Tendo isto em conta, convido à reflexão sobre a intolerância e cá venho eu escrever sobre religião.
– Aha!, ma! Apanhamos-te! Lá estás tu a convidar-te para ser espezinhado e comentado pela aristocracia de esquerda, como sacana descrente da crença ateísta blogosferiana que és!
Ninguém diria isto assim. Nem em forma, nem em conteúdo. Isto sou eu a pensar do outro lado. Tenho muitos lados.
No entanto, porque reconheço a minha inaptidão para tal discussão, a discussão profunda que gostaria de ter, e a pureza de pensamento para aceitar que certas merdas se apreendem — apreendem, não “aprendem” — não com o erro de pensamento, mas com alguma simples aceitação de outras formas ver as coisas, deixo o teor disto à batalha de opiniões que já está escrita por todo o lado.
Também tenho uma opinião, claro, que não subscreve totalmente este artigo do Theodore Dalrymple, mas o aceita em grande parte. E quando me der para tal, talvez um dia mais tarde, quando a minha puberdade intelectual estiver no seu pico, a meio, ainda escreverei umas linhas sobre a minha percepção.
Portanto, Carlos, mano by choice — eu cá gosto é de manteiga, com sal — via o novo blogue do maradona, passou-me isto pelos olhos. E eu, conhecendo-te um bocado, e tu sabes que até te conheço um bocado, tenho estado a observar-te nesta nova postura com alguma isenção nos julgamentos de opinião que tenho sobre os Ateístas. Ou Neo-ateístas.
E tu até sabes bem o que penso. E está aí para o meio destas crenças todas. Entre o tempo que tenho e o que eu pago para ter, valioso e menos valioso. Como também todo o pensamento comum.
E não sou religioso, não senhor. Nem Ateu. Nem muito ignorante.
Lá está…