Enquanto acabava de dar arrumo e asseio aos instrumentos de análise, respirava profundamente. Suspirava, quase, mas não muito. Murmurava:
– Pois… parece normal, uma pequena inflamação, mas normal.
– Mas, Sr. Dr., se está tudo aparentemente normal, qual é o meu problema?
– Bem, você precisa de ser estudado, homem!
– Estudado, Dr.?…
Aqui fiz um bullet time, para regalar-me com a visão, em tons sépia, de um grupo de cientistas à volta do meu cadáver disforme, enquanto se podia ler num dossier amassado e largado à moda de trapo velho numa bandeja de zinco: «ÁREA 51».
Então, o médico, perante a minha aparente apatia, acordou-me:
– Sim, estudado.
– Mas, Sr. Dr., não é um cancro, pois não?
– Não, pode estar descansado.
– E então?
– Bem, a questão é que é muito difícil acontecer um problema desse tipo, sabe? Só numa hipótese mais remota. Então tem que se ver porquê que acontece.
– Hum!
– É que esta parte do nosso organismo é tal mal feitinha e tem tantos defeitos, que é muito normal que não se consiga detectar à partida o que é. Então vamos ter que fazer alguns exames. Vai fazer o seguinte…
E então, para regozijo do meu script, começa a descrever algo que tem muito, mas mesmo muito a ver com todo o filme que estava a sonhar. É que já me sentia em Roswell e tagarelava alegremente com o Ridley Scott sobre o percurso da coisa.
– Pois, mal por mal… Tem mesmo a certeza que não é cancro? E se for algo partido? Fractura exposta? Pode ser, por favor. Tíbia? Não há problema. Em quantos sítios?