Arquivo para Maio, 2005

Sábado, 14 de Maio, 2005

“Amor de Rato”

Com esta coisa de “queimar pestanas” há mais de 15 anos, ainda consigo ser completamente surpreendido — leia-se, cair de traseiro — em sistemas que, julgava eu, ingénuo, já tinha visto tudo.

Einstein mostra os seus germes

Como é que esperam que uma pessoa fique, ao encontrar uma anedota escondida em algo tão gracioso como uma base de dados internacional de geo-estatística?

Sexta-feira, 13 de Maio, 2005

Quase meio século!…

… E, ainda assim, completamente apaixonante – leia-se viciante!

Seria até apetecível colocar aqui todo o conteúdo.

Tatuarei este post de «Inveja de Abrupto – 2005».

Da colecção privada de um familiar, à qual será prontamente devolvido. Mestre reconhecido de charadismo. Uma pessoa realmente admirável, que muito estimo.

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ma ~ 14:47h | Livraria
Quinta-feira, 12 de Maio, 2005

As Musas

Certo amigo, na revelação de um dos seus livros de cabeceira, fez-me lembrar este magnífico excerto de Luís Veríssimo. Era imperdoável não o postar.


«Ao criar a arte o homem está imitando a mulher que cria a vida. Aí está a lógica dos deuses ao criarem as Musas. É a inveja do útero!»

Do baú. Desde que Homero pediu à Musa que iniciasse a Odisseia por onde ela quisesse, os escritores esperam das deusas da arte não só inspiração como instruções específicas. Como e por onde iniciar, que estilo usar, que tom, que tamanho, tudo. Queremos não uma musa metafórica, apenas outro nome para o mistério da criação, mas uma musa mesmo, uma musa musa. Uma mulher, com ou sem toga, que sente ao nosso lado e dite, e depois edite, o que escrevemos. Começando pela primeira frase.

- Escreva aí: «Desde que Homero pediu à Musa que iniciasse a Odisseia por onde ela quisesse…»

- Espere. Quem é você?

- Sua Musa.

- Finalmente!

- Não se entusiasme de mais. Eu só dou as ideias. Você terá de fazer o trabalho pesado. Nós nunca escrevemos nada. Ainda mais em computador.

- Mas você é tudo que eu queria. Alguém que me dê ideias. Que decida por mim o assunto e a maneira de tratá-lo. Em bom português, o «approach». Sem precisar ficar esperando que venha a inspiração, jogando paciência. E você está aqui, finalmente. Ao meu lado. A inspiração em carne e osso! Vem cá!

- Epa! Olha o assédio sexual no local de trabalho. Musa não é secretária.

- Desculpe. Eu só queria abraçá-la. Estou emocionado. Que musa é você? Calíope? Clio? Thalia? Erato?

- Tá brincando? Quem você pensa que é, Homero? Essas são do primeiro time. Eu sou a musa da redacção escolar e da crónica.

- Como é o seu nome?

- Ritinha.

- Por que será que as musas são mulheres, Ritinha? Será porque no fundo a arte, para os gregos, era coisa de mulher?

- E eu sei?

- Ou vocês são, na verdade, uma projecção das nossas mães? Como nossas mães alimentavam nossos corpos com leite e papinha, vocês alimentam as nossas mentes com ideias. Como nossas mães guiavam os nossos primeiros passos, vocês guiam a nossa mão no papel, ou nossos dedos no computador. Todo artista é, no fundo, um desmamado querendo voltar para o domínio da mãe. Será isso?

- Nós estamos aqui para trabalhar ou para…

- As escritoras mulheres têm musos?

- Escuta. Me mandaram para ajudar você. Eu já dei a ideia que você queria. Escrever sobre as Musas. Sua importância na Antiguidade. Sua história no Olimpo, onde cantavam acompanhadas pela lira de Apolo. Sua rivalidade com as Sereias, etc. Só aí tem assunto para vários sábados. Mas estas especulações pseudopsicológicas sobre o significado oculto das Musas, em formas de diálogo, não foi ideia minha. Ou você pára ou…

- Talvez os gregos apenas representassem, nas Musas, o fascínio que as mulheres exercem sobre os homens. É para impressionar ou para escapar da mulher que o homem faz tudo o que faz. Tudo. Guerras, cidades, máquinas, civilizações inteiras. E, claro, arte. Tudo ou é paquera ou é terror. Conquista ou fuga. A mente do homem é um templo em que a mulher é estátua e sombra, mãe e prostituta, serva e ameaça. As Musas são as sacerdotisas desse templo, mandadas pelos deuses para pôr ordem no caos, ou transformar caos em arte.

- Eu vou embora.

- Espere! Por que as Musas são mulheres, se há mais artistas homens do que mulheres? Se homens fazem arte, seria natural que homens inspirassem a arte. Mas ao criar a arte o homem está imitando a mulher que cria a vida. Aí está a lógica dos deuses ao criarem as Musas. É a inveja do útero! Se as mulheres criam a vida impregnadas pelos homens, os homens criam a arte impregnados pelas mulheres. As Musas não são inspiradoras, são reprodutoras. Inseminam os nossos cérebros, para nos igualarem a elas como criadoras.

- Quer saber de uma coisa? Tchau.

- Não vá! Eu preciso de um final. Talvez as Musas zombem de nós. Pois, por mais que nos semeiem com ideias e nos fertilizem com frases, jamais daremos à luz vidas de verdade, como as mulheres. Serão sempre ficções. Vidas falsas. Mundos postiços. Épicos hipotéticos. Heróis de mentira. Crónicas sem sentido com musas inventadas. O que você acha? Eu preciso de uma conclusão. Você me deu o começo, musa, agora me dê o fim. Um final, eu preciso de um final! Volta! Ritinha!

Do Lado de Cá, Luís Fernando Veríssimo
in Actual, Expresso em tempos afonsinos, para aí há um ano.

ma ~ 17:30h | Catarse, Livraria

Amor de Vasco Granja!

No incontornável Newgrounds, esta imperdível animação castelhana. De um tal de nachotururu, com um sentido de humor estragadinho de bom, como o seu site pessoal bem demonstra. 

Imperdível!


Só para lembrar – até porque é Imperdível! — é num certo "WATCH THIS MOVIE!" que se clica.

ma ~ 11:31h | Uebatógrafo
Quarta-feira, 11 de Maio, 2005

Curso de Cepticismo Avançado

Cadeiras

Como desconfiar acerrimamente de alguém que nos diz tudo aquilo que queremos ouvir (em 12 passos).

Como desconfiar acerrimamente de alguém que nos dá abraços condicionados (em 12 passos).

Como desconfiar acerrimamente de alguém que adore falar sobre ele próprio (em 12 passos).

[preencher]

ma ~ 19:12h | Blogue-a-dias

Excelentes notícias…

… Para cinéfilos-DVD-o-maníacos pouco poupadinhos.

Ver aqui.

ma ~ 19:08h | Canivete-suíço
Terça-feira, 10 de Maio, 2005

A “pimpolha” da Papoila

Vou confessar uma coisa: eu leio a Papoila.

Eu leio a Papoila há muito tempo.

Eu leio a Papoila desde o tempo que, nas consultas, nunca conseguia resolver os grandes problemas da humanidade. Mas tentava.

E como leio a Papoila, sei que o cronograma indica que o último dia antes de receber a abençoada epidural é hoje.

Suspeito que a Carne, neste caso, é forte e amanhã vai tudo correr bem.

Portanto, porque o momento assim o pede, porque gosto de ler a Papoila — e porque sim — desejo grandes felicidades a alguém que não conheço de lado nenhum, a não ser do blogue do costume.

ma ~ 15:21h | Blogue-a-dias

Nota mental

Um dia hei-de conjecturar profundamente sobre as diferenças entre um bronco e um grunho. É que tenho conhecido alguns bons grunhos, até polidos e rectos, quase todos verdadeiros.

Nos broncos é que tenho tido azar.

ma ~ 14:45h | Blogue-a-dias

Sobre crescer

Johnny vs. Puto

Não me apeteceu muito ponderar sobre o que reter de Finding Neverland. Há filmes que nos capturam, se não por um argumento capaz, então pelos factos não ficcionados que evocam no script, mas que transformam novamente para a tela, retornando tudo ao sonho, e do sonho à realidade que nós gostaríamos de viver. Um bom bocado disto, desta paixão sublimada que nos fica, é cinema; É bom cinema.

Finding Neverland conta a história da Terra do Nunca, a verdadeira, a de Sir James Matthew Barrie, interpretado por um Johnny Depp amadurecido, mas com uma cara de puto que pode bem transpirar um pouco de Peter Pan.

Mostra a verdadeira magia do teatro e a forma como o teatro é vivido, não pelo actor, mas pelo espectador, e como nele, na sua imaginação provocada pelo mote, vive a essência e o sucesso de uma peça.

Conta uma história bonita, triste, libertadora e anacrónica de um miúdo que nunca cresceu, nunca quis crescer, mas teve a felicidade de o conseguir, quando assumiu que, ao crescer, tinha que manter em si o espírito da criança que ele mesmo amadureceu.

Conta tudo sobre nós, e para nós, em Peter Pan, fez uma história que é impossível não se gostar. Ela representa tudo o que cada um, secretamente, sonha à sua própria maneira, porque todos temos uma Terra do Nunca – até a blogolândia.

Eu, por exemplo, tenho mais do que uma. Uma delas fica em Bora Bora.

Bora lá!

Bom dia.

ma ~ 7:52h | Cinemateca
Segunda-feira, 9 de Maio, 2005

Da «Introdução» de Bernardo Soares

Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido — sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser; podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.

Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.

A quem, como eu, assim, vivendo não sabe ter vida, que resta senão, como a meus poucos pares, a renúncia por modo e a contemplação por destino? Não sabendo o que é a vida religiosa, nem podendo sabê-lo, porque se não tem fé com a razão; não podendo ter fé na abstracção do homem, nem sabendo mesmo que fazer dela perante nós, fica-nos, como motivo de ter alma, a contemplação estética da vida. E, assim, alheios à solenidade de todos os mundos, indiferentes ao divino e desprezadores do humano, entregamo-nos futilmente à sensação sem propósito, cultivada num epicurismo subtilizado, como convém aos nossos nervos cerebrais.

Retendo, da ciência, somente aquele seu preceito central, de que tudo é sujeito a leis fatais, contra as quais se não reage independentemente, porque reagir é elas terem feito que reagíssemos; e verificando como esse preceito se ajusta ao outro, mais antigo, da divina fatalidade das coisas, abdicamos do esforço como os débeis do entretimento dos atletas, e curvamo-nos sobre o livro das sensações com um grande escrúpulo de erudição sentida.

Não tomando nada a sério, nem considerando que nos fosse dada, por certa, outra realidade que não as nossas sensações, nelas nos abrigamos, e a elas exploramos como a grandes países desconhecidos. E, se nos empregamos assiduamente, não só na contemplação estética, mas também na expressão dos seus modos e resultados, é que a prosa ou o verso que escrevemos, destituídos de vontade de querer convencer o alheio entendimento ou mover a alheia vontade, é apenas como o falar alto de quem lê, feito para dar plena objectividade ao prazer subjectivo da leitura.

Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a de aquilo que escrevemos. Mas imperfeito é tudo, nem há poente tão belo que o não pudesse ser mais, ou brisa leve que nos dê sono que não pudesse dar-nos um sono mais calmo ainda. E assim, contempladores iguais das montanhas e das estátuas, gozando os dias como os livros, sonhando tudo, sobretudo, para o converter na nossa íntima substância, faremos também descrições e análises, que, uma vez feitas, passarão a ser coisas alheias, que podemos gozar como se viessem na tarde.

Não é este o conceito dos pessimistas, como aquele de Vigny, para quem a vida é uma cadeia, onde ele tecia palha para se distrair. Ser pessimista é tomar qualquer coisa como trágico, e essa atitude é um exagero e um incómodo. Não temos, é certo, um conceito de valia que apliquemos à obra que produzimos. Produzimo-la, é certo, para nos distrair, porém não como o preso que tece a palha, para se distrair do Destino, senão da menina que borda almofadas, para se distrair, sem mais nada.

Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia, por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.

29-3-1930

in Livro do Desassossego por Bernardo Soares.

ma ~ 10:31h | Catarse, Livraria
Sábado, 7 de Maio, 2005

O nique verdadeiro

ma ~ 22:53h | Blogue-a-dias

Terá sido impressão minha…

… Ou terá Marques Mendes “assumido” a delicada sustentabilidade das promessas feitas em campanha?…

ma ~ 13:14h | Blogue-a-dias

Saw Seen it, done it…

Vi ontem o Saw, que caminha agora para o segundo da série e serviu apenas para reforçar a confiança na experiência e opinião pessoal, desligando-me da crítica, sondagem e pontuação de pacotilha — obrigado, P — para decisão dos filmes que adiciono religiosamente ao meu cronograma d’ócios [IMDB - 7,5].

Como sou possuidor de um péssimo poder de síntese, ainda assim — e sempre conservando o teor anti-spoiler — vou cortar isto pela metade. O filme assim o pede.

James Wan deve ser bom rapaz, não duvido, no entanto, Saw deixa uma impressão de má imitação — agora que tantos filmes puxam a temática do serial killer — de Seven, enquanto a má interpretação de todo o cast parece gritar que existiu ali um corte de pernas algures entre a produção e a inexperiência deste novo realizador.

Falando em pernas, o argumento até as tem para andar, mas manca perante uma linha temporal mal aproveitada. Com os clássicos flashbacks e twists, que são indispensáveis quando se caminha na direcção que o realizador quis tomar, o enredo deixa uma impressão de pouca maturidade aquando o desenvolvimento. Não fosse a sensação de despacho que nos fica através de toda a hora e três quartos que o filme dura, a história em sí, de facto, até dava pano para mangas, como tentarão provar na sequela.

I saw Danny

Nunca gostei de Danny Glover, o único veterano da fita. Aqui, a minha opinião perante um Murtaugh insano, que foi um vestir as calças de outro — com o tamanho claramente errado — fica por um: «Hum… Aham…» — um: «Hum… Aham…» fraquinho, note-se, que se aproximou mais da lividez de um membro cortado.

Não fosse o velho “querer abraçar o mundo com as pernas“, que foi, sem dúvida nenhuma, o grande problema desta produção, teríamos aqui o novo standard para outras más imitações.

ma ~ 11:39h | Cinemateca
Sexta-feira, 6 de Maio, 2005

The missing linque! (cont.)

Com mil macacos!

Este blogue, da malta da Nitro, foi justamente o primeiro que vim a conhecer em Portugal e que me deu a inspiração para a inauguração do meu primogénito digital. Era o longínquo ano de 2003.

Com muito agrado, descubro que acabou de se juntar à comunidade do WordPress, ainda que mantenha o template instalado por defeito — que não durará muito, acredito.

Um grande bem-haja. Um pouco atrasado, mas bem sentido.


Adenda:

Bem recordado via blogo, o qual felicito pela útil iniciativa.

Lado Solar

Aurora
Bom dia!

ma ~ 8:36h | Blogue-a-dias

Lado Lunar

Projecto de vida

  • Comprar a SCO, desmantelá-la e vendê-la aos bocadinhos. Bem pequenos.
  • Criar nova SCO, com uma distribuição mainstream baseada no Fedora.
  • Processar a Red Hat por uso indevido de código G.P.L.
  • Ir morar para a Polinésia Fran… Fran!… FRAN!… POLINÉSIA!
  • Comprar Clonix.
  • Fechar o blogue.
Quinta-feira, 5 de Maio, 2005

Dois anos de Abrupto.

Acerca de Pacheco Pereira, lembro-me agora de duas situações recentes, tendo apenas, como analogia, a simples delicadeza.

Tinha sido convidado para um café — camuflagem de consultório informático — por um amigo que tinha um amigo engenheiro que queria implementar vários sistemas, clientes e servidores, numa larga infra-estrutura pública. Ora, o que ele queria saber vem pouco ao caso, e era de resposta muito simples, mas seria algo que, de uma forma ou de outra, lhe iria servir em próprio benefício profissional. Fiquei então (auto)incumbido de o contactar por correio electrónico fazendo acompanhar algumas instruções técnicas para utilizar uma aplicação. E assim fiz. Seja por que artes forem, nunca mais obtive resposta. Nem sequer um: «Obrigadinho, ó pazinho!». Não existindo problemas com o correio, ainda perguntei se estava tudo bem ao amigo apresentante, que me retorna um: «Não sei, acho que sim…».

Alguns dias depois, lia eu o Abrupto, reparei que, em certo post, alguns caracteres estavam completamente deslocados no conteúdo. Pela semântica, subentendi que havia uma dificuldade na utilização dos, muito nossos, diacríticos em teclados estranjas. Sem problema algum, como várias vezes é apanágio por profissão e desenvolvimento em comunidade, enviei uma mensagem a JPP com instruções para a utilização de um programa que resolvesse essa lacuna própria de blogger nómada da Lusitânia.

E ele respondeu. Respondeu um simples, educado, mas desnecessário, pela pouca importância do facto: «Obrigada pela indicação».

Ainda há pessoas esperançosamente diferentes.

Desejo os meus Parabéns aos 2 anos de Abrupto, que — para ser excepção à regra — é um resultado somente ultrapassável pela elevação do seu criador, que tanto vai dando de si próprio num verdadeiro diário electrónico.

E bom dia!

ma ~ 14:34h | Blogue-a-dias

Em resposta…

… Ao Vareta Funda do Vareta Funda, esse incontornável figurão da prosa ultracriativa no universo pop art do Portugal profundo do povo de garra, que agarra, e que de mansinho vai deixando uma mensagem subliminar para ficarmos a pensar o que raio o gajo está para aqui a escrever perguntais mesmo que não esteja a escrever nadinha de nada estou apenas a tentar discernir uma das múltiplas facetas na qualidade de escrita deste inconformado e ajeitado rapaz das fábulas, traduções e textões e… e… escritos grandes!, variados e multifacetados e bons e coisas que agora não me ocorrem porque é final de dia e já esgotei toda a minha escassa matéria de combustão pensante a responder ao estupor do inquérito que roda e roda por toda a blogosfera e já mais ninguém quer escrever sobre ele e todos fogem a sete pés quando ameaço mandar isto e ah! ah! ah! as vezes que me apeteceu mandar isto a certas pessoas ih! ih! ih! e se calhar vou mesmo mandar que isto de correntes é giro e não faz muito mal um tipo lucrar destas oportunidades de meter a malta a pensar e a ler A LER porque é cóltura, estúpida!, não, não é isso, mas é mesmo cultura estúpida pffff! vamos tentando colorir o encéfalo com esta cultura famigerada e corrompida por mil e um intelectuais da treta que ainda escrevem livros que o “circulo” aprova para o zé povinho andar a ler e aprender a ler lendo tretas de pseudocultura, pseudo-intelecto selecto erecto abjecto e objecto apenas da vontade comercial que alguns têm agora que até a blogosfera tem editora, não, setôra, não quero ir para a rua, não tenho pontuação, não me dê uma punção, apenas queria escrever uma simples introdução e não é por ter visto o finding forrester que agora desato a escrever assim a pensar que depois posso rever tudo porque na verdade isto não vale nada, que é um blogue e tal e ninguém liga patavina para isto e o melhor é mesmo parar por aqui antes que comece a escrever sobre a minha infância já tinha dito que tudo isto começou quando tinha nove anitos e a Irmã Teles Feio fez-me uma careta à saída da sala e é melhor acabar. Pronto.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

Queria ser um disco vazio, colocado num terminal, com um programa de spidering ligado à net. Aí com uns 150 terabytes. De amianto, claro, como também já li alguém escrever. Um book on hard-drive, portanto.

Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?

Várias vezes! Imensas vezes! Dulcineia, daquele homem dos moínhos, foi a mais intensa, em puto, por influência de uma música do inefável Roberto Carlos. O Gollum, do Lord of the Rings foi a mais recente.

Qual foi o último livro que compraste?

Os últimos livros que comprei para casa fazem parte da colecção Mil Folhas, do Público, graças à minha esposa que tem pachorra para as fazer todas. Tem sido um catching-on rejuvenescedor. Fora isso, também afinfei o interessantíssimo: C++ — The Complete Reference, do Herb Schildt e ofereci um monte de corja best seller.

Qual foi o último livro que leste?

The Lord of the Rings, do Tolkien, na versão original. Porque o raio do homem era um génio e nunca me farto de o reler. Além do mais, acredito que se o ler umas 150 vezes ficarei mais perto de uma esquizofrenia confortável e vou logo viver com os Hobbits.

Que livros estás a ler?

Ah!, sou um herege leitor, por isso, tem sempre que ser no plural. Neste momento, escamoteio Dostoievski, O Jogador, por influência familiar – até calha bem porque também ando com aversão aos franceses; O Documento 48, do Wallace — porque gosto do Wallace daria uma tese; tinha no W.C. O Crime de Lorde Artur Savile e Outros Contos, de Oscar Wilde, que não percebo onde é que a minha mulher o meteu; Deitei prò lado os 7 minutos, também do Wallace, que estava ilegivelmente traduzido para Português do Brasil.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Não levaria livros para uma ilha deserta, seria um desperdício. Ainda assim, se fosse obrigado, piscaria o olho a um ou outro, ou todos, da MRP e, com certeza, mandava o Big Sur do Kerouac — bon voyage!

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Pensei e repensei, mas como a minha mãezinha me ensinou a ser cavalheiro, aqui vai:

Ao Haddock, d’O Vilacondense, porque é recém-chegado, meu patrício, suspeito que o conheço e quero ler o quê que ele não responde.

Ao Imago, do Instar 40, que é um blogue novinho de um blogger velhinho, porque um dia me disse que não gostava de muito de ler — right

Ao Carlos, do Carlos Moura, (…), porque também é um bicho dos livros e — também — foi ele, nos anos dourados, que me reactivou a mania para isso quando eu só queria motas, gajas e tocar viola – Agh!, maldito!…

ma ~ 12:05h | Blogue-a-dias
Quarta-feira, 4 de Maio, 2005

Quando eu gosto…

… Mais do sentido de humor dos textos, argumento, encenação do que o resultado, propriamente dito, não deixando de criticar, não posso deixar de postar sobre isso.

Aqui vão os primeiros linques de muitos outros — tirados de um dos colossos do flash na web: Newgrounds.

Notas:

- Lá existe um bem visível: “WATCH THIS MOVIE!” – é esse.
- O som é – sempre – imprescindível.

ma ~ 9:46h | Uebatógrafo
Terça-feira, 3 de Maio, 2005

Argh! Socorro!

Uma corrente blogosférica! O terror! O pânico!!…

ma ~ 22:16h | Blogue-a-dias
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