Não me tem dado muito para Escrever. Não me refiro aos posts, não, não é isso. E por posts entenda-se o blogging compulsivo e catártico, que parece catalisar grande parte do efeito laxativo de um bom cubano à maioria dos bloggers. Isso, não o tenho feito mais pela ocupação profissional e por motivos de saúde. Escrever de verdade, agora sim, refiro-me à Escrita, à dita e verdadeira, ainda não o fiz. Tenho pudor. Muito pudor. Muita vergonha, e na vergonha refiro-me à verdadeira, à dita. Pior: tenho alguma perplexidade conceptual.
Quando criei o SeC, (in)exteriorizei um conceito que associava duas cores, o vermelho e o azul, que pretendiam significar o quente e o frio, o sublimado e o corrosivo. Atirei, portanto, dois opostos perfeitamente vinculáveis, pensava eu. O problema é compreender qual o sublimado e qual o outro, o corrosivo. Qual o evoluído e maduro, e qual o verde e rasteiro — e qual a temperatura que os rege.
Com isto, não cheguei a escrever o que queria, o que me amedronta e afronta; o que me diz que cá voltarei aos posts, ao blogging. Não haja enganos, que voltarei, voltarei, sem dúvida, mas neste momento, que me corrói algo que não ainda compreendo inteiramente, não sei bem como me dirigir à coisa. À coisa escrita. À verdadeira, à dita.
Assim, vou esperar que o médico me diga quando poderei escrever. Qual o antibiótico apropriado para esta patologia redigida. Qual o tratamento adequado para alfabetizar esta mania, muitas vezes, purulenta de me expor.
Percebo que isto seja difícil de ler, ainda mais de entender, mas depois de um diagnóstico oportuno, talvez me clarifique e me dê mesmo para Escrever.