É direito/dever do amigo ajudar. Acima de tudo, é direito/dever do amigo estar presente. A “presença”, ainda que não sendo física, é o dogma do conceito de amizade que respeito.
Isto não significa que, nas separações forçadas, sejam os amigos obrigados a manter os contactos telefónicos, electrónicos e outros tantos ónicos que surgiram e estão a surgir na era das tecnologias de informação/comunicação – tornando cada vez mais fácil que estas separações sejam limitadas meramente pelo orçamento familiar. Acima de tudo, significa que façam com que a vossa presença seja motivo de conforto e apoio para essa amizade. Que a ajudem por altruísmo ou, para ser um pouco mais realista não o sendo muito, pelo o retorno de uma amizade análoga fechando desta forma, muito simplista, o ciclo da mesma. Assim, não será muito importante se a vemos – a amizade – a cada semana, cada mês ou a cada ano. Sabemos bem que ela está “lá”.
Isto vem a propósito de muita coisa, mas de coisa nenhuma que interesse relatar especificamente. Para já, pelo menos.
O que vem a propósito desta nota é o interesse em gravá-la para o futuro, futuro esse em que volte a mudar de ideias e recomece novamente a julgar todos os meus conceitos relacionais – os latos, claro, que a boa formação não é muito corrosível. Interessa-me gravar que existem aqueles que falam com uma empatia nos olhos e apenas pensam no movimento bancário ou material de todo um género de “necessidades”, do que as verdadeiras necessidades das suas relações. As necessidades sentimentais. Aquelas – já há muito esquecidas, aposto – que criaram a sua amizade em primeiro lugar.
É obvio que este é o conceito de amizade mais admirável, ainda que não seja o mais praticável fora de Hollywood. E são raras, estas amizades sem egoísmo.
Acima de tudo, o que gostava de não ver, são os amigos “de trazer por casa”, mas que não interessa nada que nela entrem. São aqueles que estão apenas presentes para falar de algo que lhes sirva a conta própria; que lhes sirva pelo proveito meramente material – premeditadamente ou não.
Ingenuidade? Sim, provavelmente. Mas é, não tenho dúvidas, uma credulidade que tenho o prazer e obrigação de cultivar e proteger. Agora. Já. Antes que mude de ideias.